Flexible Home Layout

ECONOMIA

CUITEGI

FOTOS

EMPREGOS

Video

POLITICA

"O novo Plano Nacional de Educação é um grande avanço, mas precisa, além de destinar 10% do PIB até 2024, ter leis complementares que mudem também a cultura", afirma Ronaldo Mota


Fonte: Gazeta do Alagoas (AL)

Um novo marco legal em si não representa revolução, quando ocorre, ela deve necessariamente estar associada às mudanças culturais e dos pesos efetivos dos segmentos sociais nas decisões de poder. Assim, dificilmente uma lei isoladamente traz em si um caráter transformador. No entanto, há casos em que uma lei pode mudar substancialmente o futuro da nação. A complexidade dos problemas educacionais e suas soluções vão além de recursos, embora orçamento seja importante. O simples ato de dobrar salários de todos os Professores, ainda que fizesse bem, não seria em si a solução dos problemas educacionais e nem implicaria diretamente na qualidade de Ensino. Remunerar melhor os Professores tem um efeito mais relevante ao despertar vocações e estimular uma nova geração de Docentes do que efetivamente sobre aqueles que já estão em sala de aula.
A revolucionária lei seria algo como: “No Brasil, progressivamente até 2024, os salários dos Professores e os dos parlamentares serão relacionados entre si, tal que: i) na esfera federal, o salário de um deputado federal terá como correspondência o de um Professor titular no topo da carreira das universidades federais; ii) nos estados e nos municípios, os deputados estaduais e os vereadores terão, respectivamente, como referências os salários nos topos de carreiras dos respectivos sistemas públicos de Ensino”. Ou seja, um deputado daqui a dez anos deverá ganhar o mesmo que um Professor titular em tempo integral e com doutorado de suas respectivas universidades e um vereador, o correspondente ao que o município paga no topo da carreira aos seus Professores municipais.
É natural e correto que os parlamentares, que para exercício de seus mandatos tenham que mudar de cidade, lhes sejam assegurados auxílios- moradia. No caso dos Professores, isto é diferente. Uma vez tive de recusar um cargo público fora da universidade porque, além de não ganhar nenhum adicional, teria que arcar com as despesas de morar em outra cidade.
O novo Plano Nacional de Educação é um grande avanço, mas precisa, além de destinar 10% do PIB até 2024, ter leis complementares que mudem também a cultura. É preciso passar mensagens. Aos jovens, a mensagem que a opção pela docência será de fato valorizada neste País. Aos interessados em ingressar na carreira política, a mensagem que esta atividade será respeitada e honrada, como merece a vocação de servir ao povo, e será decentemente remunerada. No futuro, a política poderá ser mais nobre, porém não aconselhável a quem imagine dela enriquecer.
3
0 Comentários

Postar um comentário