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“Partiu do Pentágono, EUA, a estratégia e apoio aos golpes militares no Brasil e na América Latina.”

“Com o golpe militar de 1964, acreditavam os militares que nós tínhamos distribuído armas aos camponeses; ao contrário, foram eles que as entregaram aos latifundiários, e daí surgiu um sistema paramilitar montado pelos grandes proprietários rurais.”


 No Vietnam, Cuba, Venezuela, França, China, Brasil, enfim, por todas as nações.
Que trabalho de construção histórica realiza esta Comissão e tantas outras pelo Brasil afora? Quantos desafios enfrentastes? Quantos obstáculos vencestes. O que presenciastes tantas vezes? O escárnio e o ódio surdo dos torturadores e genocidas. Quantas vezes ouvistes daqueles que só sabem olhar o seu oportunismo: “Para que mexer no passado? O passado já passou.” Não! O passado está aqui entre nós e nos fala nas lições dos nossos antepassados.
O homem é acima de tudo um ser histórico.
Direcionamos, senhores membros desta Comissão, o nosso depoimento para a análise desses fatos. Que poder com força hegemônica dominava o cenário político-militar no Brasil e em toda a América Latina nas décadas de 60 e 70 do século passado? O Departamento de Estado norte-americano.
Após a vitória da Revolução Cubana em 1959, por decisão do Pentágono, os exércitos latino-americanos entraram em estado de alerta no desideratum de deter os movimentos camponeses, sobretudo os das Ligas Camponesas no Brasil, cuja expansão despertou preocupação nos comandos americanos, chegando ao ponto de vir para o Nordeste a fim de conhecer as Ligas o senador Roberto Kennedy, irmão do presidente Kennedy, dos EUA.
Que estratégia o Pentágono adotou para a América Latina? Apoiar os grandes latifundiários militarmente com o fornecimento de armas pesadas.
Os massacres de camponeses no Nordeste do Brasil, na Bolívia, na Venezuela, na Nicarágua, tiveram as mesmas características, inclusive o tipo de armas pesadas empregadas. No Nordeste, as chacinas de camponeses, antes do golpe militar de 64, em que dezenas deles foram metralhados, ocorreram entre outras, nessas regiões: em Mari, na Paraíba; na usina Estreliana, em Pernambuco; na Chácara, em Alagoas, cuja ordem de mando partia de grandes latifundiários.
O massacre de Mari ocorreu em 15 de janeiro de 1963. No dia 30 de outubro daquele ano, eu como deputado estadual tive uma audiência com o general Justino Alves Bastos, em Recife, então comandante do IV exército, durante a qual relatei que o massacre dos camponeses metralhados e mortos em Mari teve o envolvimento de usineiros. Nenhuma providência ele tomou.
Que conclusão extraímos? Grupos paramilitares comandados por latifundiários do Nordeste se organizaram a fim de deter os movimentos de expansão das Ligas Camponesas.
Em toda a América Latina, com as mesmas características, esses grupos paramilitares com o apoio velado dos exércitos perpetraram covardes massacres contra os campesinos. Em 1º de abril de 1964, o golpe militar foi desfechado no Brasil, e posteriormente, com a mesma tipologia, outras quarteladas sucederam na América Latina.
Ressalte-se: àquela época, 60% da economia do Brasil se sustentava na agricultura.
Esta pergunta não quer calar: Por que logo nos primeiros dias do golpe militar de 64, Miguel Arraes, Seixas Dória, Agassiz Almeida, Francisco Julião, Assis Lemos, Gilberto Azevedo, Djalma Maranhão foram desterrados e presos na ilha de Fernando Noronha? Pensavam os estrategistas do exército que nós tínhamos distribuído armas aos camponeses, segundo eles, desembarcadas clandestinamente na Baia da Traição, Paraíba.
  
Obs.: Agassiz Almeida é escritor, ativista dos direitos humanos, autor de clássicos da literatura brasileira. Com o golpe militar de 64 teve o seu mandato de deputado estadual cassado, e foi demitido das suas funções de promotor de justiça e professor da UFPB. Foi desterrado e preso para a ilha de Fernando Noronha. (Dados colhidos na Wikipédia).


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