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"Além dos 13 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, o país também tem 23 milhões de analfabetos funcionais, que mal sabem escrever o próprio nome", afirma jornal

Fonte: O Progresso (MS)


Números divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o país tem hoje 13 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, ou seja, 8,7% da população acima de 15 anos vivem num mundo totalmente alheio à realidade. É assustador saber que o Brasil tem mais analfabetos que toda população da Bolívia ou uma vez e meia a população do Paraguai ou, ainda, quatro vezes toda população do Uruguai. Mas o que esperar de um país onde o governo corta mais de R$ 9 bilhões do orçamento da Educação para pagar juros da dívida? A situação é vexatória, a ponto de o município Alagoinha, em Alagoas, que figura como a cidade com maior número de analfabetos no Brasil, ter coragem de pagar salário de R$ 400 mensais para os professores que trabalham com salas de alfabetização, enquanto os coordenadores do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) recebem salário um pouco melhor: R$ 600 mensais. Além dos 13 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever, o país também tem 23 milhões de analfabetos funcionais, que mal sabem escrever o próprio nome.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) classifica como analfabeto funcional toda pessoa que sabe escrever seu próprio nome, assim como lê e escreve frases simples, efetua cálculos básicos, porém é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas, impossibilitando seu desenvolvimento pessoal e profissional. Em regra, o analfabeto funcional não consegue extrair o sentido das palavras, colocar ideias no papel por meio da escrita, nem fazer operações matemáticas mais elaboradas, o que deixa o Brasil numa situação constrangedora já que 36 milhões de cidadãos sofrem com os problemas na educação. No mundo, mais de 960 milhões de adultos são analfabetos, sendo que mais de 1/3 dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso e às novas tecnologias que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a adaptar-se às mudanças sociais e culturais. A Unesco revela 75% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente, fator que explica o baixo desenvolvimento do país, já que apenas 1 entre 4 pessoas consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para seguir aprendendo.
Os problemas educacionais do Brasil vêm de longe. O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa que prometia investir R$ 3,3 bilhões para alfabetizar crianças com até 8 anos, ao final do terceiro ano do Ensino Fundamental, fazendo com que elas dominem não apenas a leitura, mas, também, a interpretação de textos básicos nessa etapa escolar, acabou ficando apenas no papel. Nem mesmo a promessa de envolvimento de 37 universidades públicas na aplicação de cursos de 200 horas para uniformizar procedimentos educacionais em todo o país, fazendo com que o professor que leciona no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, por exemplo, receba a mesma formação dos que atuam no Sudeste e Sul, foi cumprida pelo Ministério da Educação. Ainda assim, números do IBGE revelam que entre 2003 e 2013 a taxa de analfabetismo no Brasil, até os 8 anos de idade, caiu 28,2%, com variações entre os Estados, e alcançou, na média nacional, uma taxa de alfabetização de 84,8% das crianças. Mesmo assim, alguns abismos precisam ser superados quando os números são comparados entre as diferentes regiões, com a taxa de analfabetismo atingindo 25,4% das crianças no Nordeste e 27,3% no Norte, enquanto no Centro-Oeste o índice é de 9%, no Sudeste está em 7,8% e no Sul ficou em 5,6%.
Em níveis individuais, o Estado com a maior taxa de analfabetismo é Alagoas, onde 35% das crianças chegam ao fim do Ensino Fundamental sem saber ler ou escrever, ou seja, para cada grupo de 100 alunos, 35 não são alfabetizados no Estado. Entre todos os problemas, o analfabetismo é um dos mais graves, já que 8,3% da população com mais de 15 anos, segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, não sabem ler e escrever. Outro desafio está no Ensino Médio, onde as grades curriculares não são atrativas, os índices de evasão são elevadíssimos e os estudantes demoram, em média, 7 anos para concluir os 4 anos do ciclo. Ainda assim, o governo federal segue usando o slogan Brasil, Pátria Educadora em suas campanhas publicitárias, ou seja, os números reais parecem não incomodar a ficção criada por Brasília.

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