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Face aos últimos acontecimentos envolvendo a prisão do senador Delcídio do Amaral e a nota do Partido dos Trabalhadores, o escritor Agassiz Almeida enviou esta mensagem ao presidente do Senado Federal Renan Calheiros.
Agassiz Almeida: A noite dos fariseus

Palavras dirigidas ao ex-presidente Lula da Silva:
A sua subserviência não aplaca a ira do poder punitivo.
Se lhe falta a grandeza da solidariedade ao companheiro que tomba, cale-se.
“Imbecil” não é aquele que cai, mas o que covardemente o apedreja.
Respeite a sua história com a eloquência do silêncio.


Nos últimos dias, a nação assiste pelos meios de comunicação a um teatrão de marionetes.
Para onde vamos? Pergunta angustiado o povo brasileiro. Não tem resposta. As corporações se plantam nas suas “Torres de Marfim” e os poderosos grupos econômicos e financeiros sangram a nação. Desfecha-se este episódio. O poder julgador lança petardo no Senado que se queda estonteado. Este cenário lembra os carneiros de Panúrgio, personagem de Rabelais, os quais frente ao predador que os tenta devorar apenas berram.
Na célebre obra “A noite dos generais”, de Meirelles Passos, personagens se movem em meio à trama traiçoeira e se debatem entre o medo e o remorso. Na noite dos fariseus agitados e temerosos senadores levam a cabeça do colega ao altar de Júpiter, poderoso justiceiro.
Oh tempora!  Oh mores! , brada Rui Barbosa da sua tumba.
Há mais de 2.000 anos, senadores mancomunados com Brutus apunhalam Júlio César no Senado romano que nos estretores da morte ao tombar, solta estas palavras: “Até tu Brutus!”. Na capital do Brasil, senadores transvertidos de “Catões” do moralismo e hermeneutas das leis aceitam um flagrante montado e um delito tipificado como continuado.
Que execrável decisão! Golpearam mortalmente a independência da instituição. Ecos da poesia de Pablo Neruda envolvem a noite dos fariseus.
Nas noites do Atacama o vôo do albatroz, ave oceânica, cruza os espaços prenunciando tempestades./ No solo, aves de rapina devoram uma gazela.”
Eis o contraditório fenômeno da vida. Nas horas de tempestade os medíocres se irmanam e levam o justo ao cadafalso.
Paremos um pouco! Passos de Mefistófeles ouvem-se na noite dos fariseus. Este vulto traz uma nota indecente excretada pela chefia do Partido dos Trabalhadores. Para servir ao senhor do chicote o lacaio pratica qualquer tipo de patifaria.
Que documento é este? Nota infame e oportunista atinge letalmente um senador que até poucas horas atrás era o líder do Governo e homem de confiança da cúpula do PT.
Que sabugisse inominável! Aos primeiros estremecimentos da deusa Themis o lançaram ao calvário.
Naquela noite, em que os tartufos vomitaram ira fabricada e alguns despejaram bravatas, um episódio histórico com a mesma conotação me salta à mente. Quando em 1 de abril de 1964, o golpe militar desabou sobre a nação, a Assembleia Legislativa da Paraíba cassou o meu mandato e de mais três deputados.
“Oh, coveira apressada”! Que ato de tamanha fraqueza e o oportunismo praticou! Ofereceram de bandeja as nossas cabeças ao vitorioso e truculento general Justino Alves Bastos, comandante do IV exército.
Na consciência dos homens livres desata-se esta interrogação: Que força aterrorizou aqueles senadores a esfarraparem o instituto da imunidade,
conquista histórica e secular que vem das lutas do parlamento britânico contra o absolutismo do rei, desde o século XVII? Com a espada de Dâmocles sobre as suas cabeças produziram aquela excrescente e covarde decisão.
Oh, melancólica noite em que a altivez cede lugar ao oportunismo!

Obs.: Mefistófeles é personagem da obra Fausto, de Goethe e representa o demônio.


Nota: Agassiz Almeida é escritor e ativista dos direitos humanos, autor de obras clássicas da literatura brasileira. Em 2001, sob a presidência do deputado Carlos Dunga a Assembleia Legislativa da Paraíba em sessão histórica resgatou os mandatos dos parlamentares cassados em abril de 1964. A história repele a covardia.
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