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"É urgente colocar a valorização do professor no centro do projeto de desenvolvimento e repensar a formação docente com foco na articulação entre Instituições de Educação Superior, sistemas públicos de ensino e escolas", afirmam atores educacionais reunidos a convite do TPE

Fonte: Correio Braziliense (DF)

Suponha que você é um jovem estudante do Ensino Médio prestes a tomar decisões para o futuro. Que rumo seguir? Que profissão buscar? É provável que a opção “ser professor” não esteja na sua lista. Nem na de sua família. No Brasil, somente 2% dos jovens têm intenção de ser professor. É fácil entender por que a profissão mais importante do país é uma das menos prestigiadas. Baixa remuneração, carreira pouco atraente e condições de trabalho precárias tiram do horizonte o rumo da docência. No imaginário social, essa profissão é relegada a segundo plano.
Sem bons e suficientes professores — não é difícil concluir —, nunca teremos base para a construção de um país com economia forte e sustentável, mais justo e que promova a inclusão social. Para termos bons professores, uma das condições necessárias, ainda que não seja suficiente, é que a formação desses profissionais seja eficaz. E, convenhamos, nossa formação docente, tanto na graduação quanto em serviço, é inadequada aos desafios atuais da profissão.
Por isso, o grupo signatário deste artigo se concentrou na tarefa de propor caminhos para contribuir com a formação dos professores — e faz um convite para ampliar essa reflexão, que deve ser plural e resultar da união de muitos esforços. É urgente o país colocar a valorização do professor no centro do projeto de desenvolvimento e repensar a formação Docente com foco no fortalecimento de um tripé que articule Instituições de Educação Superior (IES), sistemas públicos de ensino e escolas. Essa é a principal conclusão de um estudo do cientista político Fernando Abrucio, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), feito a pedido do Todos Pela Educação (TPE) e lançado em junho.
Dessa premência derivam caminhos que, na nossa avaliação, devem ser trilhados na construção da política pública dirigida à formação docente. Um deles é promover a articulação entre o currículo da formação inicial de professores e o da Educação básica, em alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular que se avizinha. Nossa avaliação é que o currículo da formação carece de centralidade na área de conhecimentos de didática, metodologia e prática de ensino. Tal revisão, nos centros formadores públicos e privados, deve vir acompanhada de ações para garantir identidade aos cursos de formação docente. As licenciaturas, por exemplo, não podem ser um “puxadinho” dos bacharelados. Já os cursos de pedagogia precisam dar mais ênfase às especificidades dos ciclos e modalidades, como é o caso dos desafios da Educação Infantil, da alfabetização e da inclusão.
Para aprimorar a formação continuada, entendemos que ela precisa se articular com as práticas de sala de aula, com os projetos pedagógicos e os resultados dos processos avaliativos de cada escola, e também com o currículo. O objeto de estudo da formação continuada deve estar intimamente relacionado ao contexto das práticas escolares. Para isso, é fundamental o apoio das IES, em trabalho coordenado com os sistemas públicos de ensino e as escolas. Elas devem promover a reflexão sobre a prática com base nos conhecimentos teóricos produzidos por meio de mais incentivo às pesquisas na área da didática. Nessa via de mão dupla, essas instituições aprendem com os desafios da realidade escolar e retroalimentam a formação inicial.
Em paralelo, um dilema tem de ser enfrentado. Mesmo sabendo que a carreira docente ainda é pouco atraente e que as condições de trabalho precisam melhorar, temos de valorizar mais a profissão. É preciso divulgar os muitos argumentos que apoiam a ideia de que o professor é o principal profissional de um país que quer avançar. Essa mensagem precisa chegar enfaticamente ao jovem do Ensino Médio e à sua família. Iniciativas específicas devem aumentar a atratividade dos cursos de formação. Um exemplo é instituir apoio financeiro por meio de bolsas de sustento aos jovens de famílias de baixa renda que optam pelo magistério.
Como se vê, o conjunto da obra não é trivial, mas há urgência. O deficit de professores é fato, e vai se agravar. Nos próximos anos, 50% dos docentes na ativa estarão em condições de se aposentar. Esse momento de reposição deve ser encarado como uma oportunidade para que a formação de professores seja tratada de forma prioritária e estratégica. Não a deixemos escapar.
Alejandra Meraz Velasco (TPE); Aline Maria de Medeiros R. Reali (Ufscar); Ana Inoue (Itaú BBA); Ana Maria Diniz (Inst. Península); Anna Helena Altenfelder (Cenpec); Carmen Moreira de Castro Neves (consultora); Cesar Callegari (Faculdade Sesi); Claudia Maffini Griboski (UnB); Cleuza Repulho (especialista); Cybele Amado (Icep); Edson Inforsato (Unesp); Fernando Abrucio (FGV-SP); Guiomar Namo de Mello (CEE-SP); Iolanda Barbosa da Silva (Undime); Iracema Sampaio (secretária de Educação, Sobral, CE); Laura de Almeida Braga Rossi (consultora); Lúcia Couto (Inst. Unibanco); Maria Cecília Amêndola da Motta (Consed); Mario Ghio Junior (Kroton); Miguel Thompson (Inst. Singularidades); Sonia Teresinha de Sousa Penin (USP); Tereza Perez (Cedac); Waldir Leonel (Consed).
Artigo publicado apenas em veículo impresso
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