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O assentamento da reforma agrária Venâncio Tomé de Araújo, em Campina Grande, a aproximadamente 120 quilômetros da capital paraibana, João Pessoa, foi o palco, na manhã da quinta-feira (18), do Dia de Campo “Sisal integrado à pecuária, emprego e renda na agricultura familiar do Semiárido”.

A atividade reuniu cerca de 65 participantes, entre técnicos, representantes de entidades parceiras e agricultores de outros três assentamentos, e também contou com a presença do superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Paraíba, Solon Diniz, e do chefe substituto da Divisão de Desenvolvimento de Assentamentos do Incra/PB, Gilberto Ferreira, além de representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Algodão) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater/PB). Também participaram do Dia de Campo técnicos da Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção (Coonap), entidade contratada pelo Incra para executar serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) em assentamentos da região.

O evento no Assentamento Venâncio Tomé de Araújo foi realizado na Unidade de Transferência e Demonstração/Escola de Campo implantada em 2011 pela Embrapa em uma área coletiva do assentamento com 3,5 hectares, em parceria com o Banco do Nordeste (BNB), a Cooperativa Rural do Assentamento Venâncio Tomé de Araújo (Cravta) e a Coonap, que adquiriu a máquina usada no beneficiamento do sisal com recursos do Incra, em um investimento de aproximadamente R$ 7,5 mil. Para a primeira colheita, que deve ser iniciada nos próximos dias, a estimativa é de que sejam obtidas quatro toneladas de fibra seca.

O Dia de Campo “Sisal integrado à pecuária, emprego e renda na agricultura familiar do Semiárido” foi promovido pela Embrapa Algodão em parceria com o Incra/PB, o BNB, a Cravta, a Emater/PB, a Cooperativa Agropecuária Mista de Pocinhos (Campol), a Prefeitura de Campina Grande e a Coonap.


Vantagens do sisal

O pesquisador da Embrapa Algodão Odilon Reny Ribeiro da Silva ressaltou as vantagens da cultura do sisal (Agave sisalana) como alternativa de renda e segurança alimentar animal de rebanhos de ruminantes (bovinos, caprinos e ovinos) para agricultores familiares do Semiárido. Também pesquisador da Embrapa, Manoel Francisco de Sousa destacou em sua fala a integração entre o sisal e a pecuária.

O supervisor da Área de Comunicação Empresarial e Negócios Tecnológicos (ACENT) da Embrapa Algodão, o analista Waltemilton Cartaxo, tratou do papel das UTDs/Escolas de Campo no reordenamento, organização e ampliação da cadeia produtiva do sisal na agricultura familiar do Semiárido paraibano.

As UTDs também têm por objetivo, conforme Cartaxo, contribuir para a ampliação da cadeia produtiva do sisal com a produção de mudas para assentamentos da região. O Assentamento Pequeno Richard, também em Campina Grande, já possui seis pequenas áreas plantadas com mudas de sisal cultivadas no espaço coletivo do Assentamento Venâncio Tomé.

“Muitos assentamentos paraibanos estão localizados em uma região muito seca, no Semiárido, mas quem plantou sisal está produzindo apesar da estiagem prolongada dos últimos anos”, afirmou Cartaxo.

O sucesso da experiência na área coletiva de Venâncio Tomé tem levado agricultores assentados a investir na cultura do sisal, como Antônio Otílio, agricultor do assentamento, que destinou dois hectares de seu lote ao plantio do agave e espera beneficiar as primeiras folhas em no máximo dois anos.

Durante o Dia de Campo, os assentados também receberam informações do presidente da Campol, do município de Pocinhos (PB), Antônio de Pádua Chaves, sobre cooperativismo e sobre a organização da produção e da comercialização do sisal no estado.

Os assentados puderam observar de perto como é feito o manejo do sisal, a colheita e a operação da máquina para desfibrar a planta, e aprenderam como separar a fibra, a bucha e a mucilagem, que, segundo Cartaxo, tem 7% de proteína, e pode ser utilizada como ração animal in natura, na forma de feno ou silagem, ou misturada com outros alimentos, como torta de algodão, milho moído e palma forrageira.

De acordo com Cartaxo, após o beneficiamento do sisal, cerca de 4 a 5% do material obtido tem valor comercial (a fibra). O que sobra é utilizado como ração animal (mucilagem), como defensivo natural (suco) e na construção civil (bucha). O quilo da fibra, utilizada pelas indústrias na fabricação de tapetes, carpetes, cordas e fios, é vendido por aproximadamente R$ 2,70 e o quilo da bucha a R$ 1.


Comercialização garantida

“Muitos agricultores assentados manifestaram interesse em iniciar o plantio do sisal porque ficaram muito empolgados com tudo que ouviram no Dia de Campo. Alguns pensam até em substituir o plantio de palma pelo sisal”, disse o diretor técnico da Coonap, o engenheiro agrícola José Diniz das Neves. “A maior dificuldade no plantio do sisal é a mão de obra, porque é uma cultura que não pode ser mecanizada. Mas isto eles têm de sobra.”

Segundo ele, a cultura do sisal, que inicia sua produção após três ou quatro anos de plantio, tem várias vantagens sobre a cultura da palma forrageira, como o reduzido número de pragas, o valor comercial e o uso múltiplo da planta, que também é utilizada na fabricação de peças artesanais. Ele explicou que as folhas são cortadas a cada seis meses durante toda a vida útil do agave, que chega a sete anos. Ao final do período, a planta morre após gerar as sementes, que surgem em forma de uma haste (inflorescência), a flecha.

“O sisal é bastante resistente à aridez e ao sol intenso do Semiárido e precisa de pouquíssima água. Além disso, a cultura pode ser consorciada com o milho, o feijão e o amendoim, por exemplo”, afirmou Diniz, acrescentando que o volume de chuvas na região do Assentamento Venâncio Tomé alcançou apenas cerca de 270 milímetros no último ano.

Ele também garantiu que toda a fibra de sisal produzida na Paraíba já tem comprador certo porque, atualmente, a indústria de fiação e tecelagem Companhia Sisal do Brasil (Cosibra), localizada em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, precisa comprar a produção de agricultores baianos para atender a demanda.




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Att, 

Kalyandra Vaz (DRT 1679/PB) 
Assessoria de Comunicação Social do Incra/PB 
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