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Nos últimos anos, aumentou o total de professores com nível superior e houve crescimento salarial, porém, a formação ainda é insuficiente e a remuneração média equivale à metade da dos demais profissionais

educacao.estadao.com.b



No próximo dia 15 de outubro, celebramos o Dia do Professor no Brasil. A data pede uma reflexão sobre o que, de fato, pode ser comemorado sobre esta que é a principal profissão do País, mas que ainda não galgou o patamar de valorização adequado, tanto em termos salariais, quanto em condições de trabalho.
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Em se tratando de legislação, temos o que brindar, pois o docente é contemplado nas principais normas legais dirigidas à Educação. Segundo a Lei de Diretrizes e Base (LDB), de 1996, para lecionar na Educação Básica, o profissional deve ser formado em nível superior, em curso de licenciatura ou em graduação plena. Embora o texto também permita que para a Educação Infantil e os primeiros cinco anos do Ensino Fundamental a formação mínima seja em nível médio na modalidade normal, o número de professores com ensino superior é crescente.
O Plano Nacional de Educação, em vigor desde 2014, vai ainda mais longe que a LDB e estabelece que, até 2024, todos os professores da Educação Básica devem ter Ensino Superior completo e formação adequada à área em que lecionam.
Além disso, mais três metas do PNE – as de número 16,17 e 18 – também enfocam o professor nas temáticas valorização, carreira, formação continuada e pós-graduação. Ou seja, 20% do plano trata da figura docente, o que é tanto um sinal de destaque para esse profissional quanto indicador dos desafios.
Se por um lado houve aumento da formação em nível superior nos últimos anos – de 68,4%, em 2007, para 76,4%, em 2015 -, por outro a formação ainda está longe de ser suficiente ante aos desafios da profissão, o que é apontado pelos próprios professores, empesquisa realizada pela Fundação Lemann: 75% se declaram não preparados para garantir que seus alunos aprendam.
Se o salário docente vem crescendo – a média em 2004 era de 2.166 reais, e em 2014, de 3.137 – , ele ainda fica para trás quando comparado ao de outros profissionais com a mesma escolaridade: a remuneração do magistério equivale a 54,5% do que se ganha em outras profissões, como mostram dados do Observatório do PNE.
Cada professor em potencial que se perde significa centenas de alunos privados de oportunidades de Educação de melhor qualidade.
Por que devemos nos preocupar? Primeiro, porque o professor é aquele que vai formar nossos cidadãos e profissionais. Segundo, porque muito antes do que se imagina a questão da formação reivindicará uma tomada de posição da sociedade e dos governantes: em 10 anos, cerca de metade dos professores brasileiros da Educação Básica da rede pública vai atingir a idade da aposentadoria.
Diante disso, resta questionar: quem ensinará as próximas gerações? O Brasil tem uma grande oportunidade de avançar em qualidade da Educação, desde que forme bem os professores que assumirão essas vagas. Isso significa ensinar a ensinar – dar condições ao professor para que compreenda o processo de aprendizagem de seus alunos e saiba definir as melhores estratégias de ensino.
Infelizmente, para isso, é preciso vencer o desinteresse pela carreira docente. De acordo compesquisa da Fundação Carlos Chagas, 98% dos estudantes do Ensino Médio não querem ser professores. Mudar esse quadro demanda uma carreira mais atrativa em termos de qualidade e salário. Essa batalha, se vencida, terá como resultado profissionais de ensino bem capacitados, prontos para despertar os talentos jovens do Brasil.
Cada professor em potencial que se perde significa centenas de alunos privados de oportunidades de Educação de melhor qualidade.

Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação, falou desse tema no primeiro de uma série de artigos sobre Professores para o jornal O Estado de São Paulo – leia aqui, e também abordou o assunto no quadro De Olho na Educação, na Rádio Estadão, desta quinta-feira (13) – confira o áudio aqui.
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