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João Maria de Souza Holanda Filho, 42 anos, faz parte de uma categoria de profissionais disputada no Brasil: ele é um futuro professor de Física. Uma verdadeira raridade no mercado que é estratégico para o país. Mas João só está encarando o desafio de buscar uma nova profissão graças às oportunidades trazidas por novas tecnologias que estão fazendo do ensino a distância, o chamado EAD, uma modalidade cada vez mais atraente.

Milhares de estudantes como ele encaram já o desafio de ter aulas longe das salas de aula, enfrentando as vantagens e desvantagens desse modelo. Muitos sentem falta do contato com professores e colegas, mas valorizam o fato de poder estudar em qualquer lugar, até mesmo nas cidades mais remotas. Enfrentam ainda o preconceito do mercado e de colegas que ainda desconfiam da qualidade do EAD. A descrença no novo modelo é, em parte, fruto do desconhecimento: ao longo dos anos, e com o avanço das tecnologias, os cursos a distância se tornaram referência em inovação, influenciando até mesmo o ensino tradicional.

Atualmente no 5º semestre do curso de Ciências Naturais da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, João, que é militar, foi motivado pela possibilidade de inovar."Falamos que o Brasil precisa de bons professores, mas precisamos também de uma nova modelagem de ensino. O aluno que estuda virtualmente tem que ser um investigador, capaz de trabalhar interdisciplinarmente, o que é essencial para o professor", afirma.

João faz parte ainda de uma outra estatística importante para o país, já que, com seu curso a distância, está ajudando a reduzir um problema do sistema educacional brasileiro, o déficit de professores com diploma do país. Atualmente, 76,5% dos professores do Brasil têm curso superior. E muitos até são formados, mas não nas disciplinas que lecionam. Dados do Censo Escolar mostram que, do total de 27.886 professores que lecionam Física, 68,7% não têm licenciaturanesta disciplina. Na Matemática, a diferença é menor, mas expressiva: dos 73.251 profissionais, 51,3% cursaram outra faculdade. O problema é ainda mais grave nas regiões distantes dos grandes centros urbanos.

"Vencidas as dificuldades técnicas, o ensino a distância ainda é a maneira mais fácil de alcançar os mais de 5.000 municípios do país", afirma Betina von Staa, consultora em adoção de tecnologias em contextos educacionais e coordenadora do Censo EAD.BR. E com diferencial. "O modelo presencial está muito amparado no ombro do professor. Já o curso a distância depende de tecnologias, que só depois são aplicadas na sala de aula", explica Betina.
Se comparados os recursos de apresentação de conteúdo utilizados pelos cursos totalmente a distância e cursos presenciais, é possível notar uma grande diferença. Dados do Censo EAD mostram que, enquanto os 80% dos cursos a distância utilizam textos digitais, 47,99% dos cursos presenciais aproveitam este tipo de material. A diferença é grande também a utilização de vídeos, que chegam a ser utilizados por 72,67% dos cursos virtuais, contra 39,93% dos tradicionais. Outros recursos como livros eletrônicos, áudios, simulações online e jogos eletrônicos também aparecem como recurso mais utilizado pelo ensino a distância.

Tecnologia pode aproximar aluno e professor

Jorge Alexandre Nogared Cardoso, coordenador do curso de Pedagogia da UnisulVirtual, afirma que já é possível notar diferenças entre os profissionais formados no ambiente virtual e nos cursos presenciais. "Quem não tem medo das novas plataformas de tecnologia leva vantagem. O professor que se formou no EAD pode até não ter desenvoltura para criar ambientes virtuais de aprendizado, mas ele sabe usar o espaço, o que o aproxima dos alunos", afirma.
Professora de Matemática e estudante do curso de licenciatura em Ciências Naturais da Univesp, Camila Teixeira, 31 anos, tem testado essa teoria na prática. Ligada à rede estadual de ensino de Sorocaba (SP), ela é formada em Administração de Empresas e também estudou Pedagogia em um curso a distância. Na Univesp, fez a licenciatura curta (de dois anos) em Matemática e agora prepara-se para concluir a licenciatura em Biologia.
"Aprendi a ser mais autônoma na busca por informações, pois o curso é muito puxado. Tem que fazer muita leitura por fora ou não dá para acompanhar", explica Camila. Isso explica por que a evasão é alta nesta modalidade. "As pessoas entram achando que será fácil. Metade dos meus colegas já desistiu ", afirma ela.
Tudo o que aprende de tecnologia no curso, Camila tenta levar para a sala de aula. "Percebi que os alunos sabem usar tecnologia para ver rede sociais e procurar vídeo no YouTube. E para por aí", explica. No entanto, ela afirma que é preciso ser realista em relação à aplicação das tecnologias na sala de aula, uma vez que, muitas escolas não têm estrutura para tal. Thiago Reginaldo, 32, aluno de Pedagogia da Unisul, concorda. "A falta de infraestrutura atrapalha a difusão de novas mídias na escola", lembra.
Thiago, formado em Educação Física e Design e doutorando em Educação na Universidade do Estado de Santa Catarina, trabalha com pesquisa em educação e comunicação, além de dar cursos de formação para professores. Ele admite que ficou impressionado com a dinâmica do curso e com o estágio, mas percebe outro problema em relação ao ensino a distância. "Vejo que ainda existe um preconceito grande em relação ao online, o que é uma contradição, uma vez que vivemos em uma cultura digital. Muita gente acha que minha aprendizagem será menor. Não se percebe que estamos apenas multiplicando os espaços de comunicação, o que é bom para todos", afirma.
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A dificuldade da prática

preconceito contra os cursos de educação a distância na formação de professores está amparado especialmente nas questões da falta de interação e falta de prática didática. Jorge, coordenador da Unisul Virtual, explica que o contato pessoal realmente é mais difícil no curso a distância, mas que o esforço para vencer essas barreiras tem trazido resultados interessantes. Por exemplo, o fato de o aluno do curso virtual escrever mais. "Vemos que eles são mais atentos aos erros ortográficos e procuram ser mais claros na comunicação que os estudantes dos cursos presenciais", afirma.
Quanto a questão da prática e de como fazer para que um professor que aprendeu por meio de um computador dê conta de uma sala de aula, a consultora Betina explica que não se deve ter ilusão. "Inicialmente, ele não dará conta da prática, assim como o professor formado em um curso presencial também não dá", afirma Betina. "A prática é um problema muito discutido no Brasil, mas não é uma questão do EAD. Todos os currículos focam mais na teoria. Deixar um aluno totalmente seguro para pegar uma sala com 30 alunos, com tudo o que isso demanda, ainda é um desafio."
Fonte e foto : http://brasil.elpais.com/
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